segunda-feira, 18 de maio de 2009

Me acostumando


Sabe o que está escrito no meu perfil sobre entender as pessoas?
Então... a preguiça já faz um tempo que foi embora e eu passei bastante tempo fazendo isso (tentando entender as pessoas)
muito esforço mental, dependendo até físico. e no fim vc vê que nada daquilo é real, ou é apenas por um momento.
Os librianos e piscianos vivem bem isso!!!
Mas os leoninos...
É difícil conviver com a instabilidade das outras pessoas, pois somos extremamente instáveis.
O fogo não é o mesmo... nunca, ele é um pra madeira, outro para os gases, outro para os líquidos, outro para os sólidos.
Me pergunto, será que este tempo todo era isso que eu deveria ter aprendido, que as pessoas na verdade são várias pessoas. Tudo depende, e exatamente por isso não devo me apegar em pessoa alguma, pois amanhã ela não será a que eu amei hoje.
UFA!
É incrível como a vida tem evidenciado as fases necessárias. Minha vida parece mais uma cenoura em rodelas... da rodela mais grossa até a mais fininha... quando será que conseguirei juntar essas rodelas e finalmente ser completa??
Talvez nunca não é? Afinal a vida é cheia de rodelas... e talvez cheguemos ao fim dela sem achar todas.
Essa é uma boa conclusão.... acho que não.. mas é essa que tenho no momento.

domingo, 10 de maio de 2009

O Bosque


Na entrada do bosque naquela noite de sábado, senti algo que não esperava que fosse sentir. Era para ser somente mais uma visita ao Bosque Maia, Deusa quantas vezes eu já fui até lá.


Mas havia algo diferente, a princípio achei que fosse o horário, 18h00 a quanto tempo eu não saia na rua ao cair na noite. Ao entrar pelo portão principal comecei a caminhar pelo chão de cimento dividido por um canteiro alto com flores, as luzes que vinham dos globos eram de um amarelo intenso e invadiam os meus olhos, senti um mistério no ar, olhei para o céu e ele estava ainda com resquícios da lua cheia escondida atrás das nuvens. haviam seres que voavam na luz seres brilhantes e travessos, e a medida que eu fui caminhando fui percebendo que o ar estava com um cheiro diferente, meu coração pulava e o nível de adrenalina aumentava a medida que as luzes foram ficando brancas. Senti vontade de parar e de ficar ali contemplando tudo aquilo. cheguei ao pequeno lago, ele sempe esteve ali mas na noite o verde era mais intenso e eu percebi que a água também estava ofegante como eu , podia ver desenhos em círculos de algo que a perturbava, como se alguém tivesse jogado uma pedra. Isso me fez sentir o vento que batia invisível como sempre, mas palpável para mim, ele se misturava aos meus cabelos e tocava de leve meu rosto deixando minhas bochechas frias. Mas eu não estava com frio, eu que sou tão friorenta, não estava com um pingo de frio. A Terra me envolvia com seu calor. e meus passos iam trazendo sua energia comigo. Mudei de caminho, comecei a andar pela parte mais alta do bosque onde o chão é de terra e as árvores estão bem mais próximas deixando uma trilha estreita e quente. Na trilha sentei em um dos bancos embaixo de um dos postes com globos amarelos. E ali permaneci por um bom tempo... meu coração não diminuiu o rítimo nem por um minuto e os seres voadores e terrestres não foram embora até que comecei a ouvir o ruído da chuva lá em cima... batendo nas folhas densas das árvores, e ali permaneci até o momento em que elas não puderam mais suportar e deixaram cair algumas gotas no meu rosto. a chuva não me incomodou nem me deixou preocupada... por mim teria ficado lá... no banco molhado, por mim teria tirado meu tênis e colocado os pés na terra molhada. e deixado meus cabelos se encharcarem. Mas , fui até a tenda e fiquei lá com medo da chuva e enfim comecei a sentir frio.


O medo me dá frio. e as crianças ainda brincavam dentro da tenda e eu ouvia seus gritos e risadas sem as observar. até que a chuva se foi... e eu também. Afinal é apenas um bosque, ele


não podia abrigar a mim e às crianças. Todos teríamos que ir embora mais cedo ou mais tarde, pois um simples passeio é um simples passeio, e não pode durar para sempre.


Mas eu voltarei lá, para sentir o verde do lago, o amarelo dos globos, o cheiro do ar, o grito das crianças, o calor da terra!!

sábado, 25 de abril de 2009

Princípio do Eixo


Eixo é um "ponto " imaginário em volta do qual se realiza o movimento de um corpo.




Estive hoje refletindo sobre o significado do eixo, fisicamente falando temos este conceito que eu tentei formular, não sei se é o correto mas foi o que consegui.




No estudo da dança do ventre, o Eixo é um ítem bastante explorado. Nossa coluna vertebral é nosso eixo, existem várias filosofias que estudam isso e aprofundam ainda mais a busca do alinhamento deste eixo. Nós somos mente, espírito e corpo, e para nós o que é mais fácil de trabalhar? Lógicamente o corpo , pois é o que vemos e podemos pegar é o que há de concreto. Se conseguirmos alinhar o eixo do nosso corpo, a energia fluirá na nossa mente e espírito. Na dança do ventre, nós trabalhamos músculos que não são trabalhados no dia a dia e em outros exercícios, estamos acionando partes do nosso corpo que muitas vezes jamais foram acionadas. Despertamos a memória corporal e entramos em contato com o mais íntimo de nós mesmas, com feridas adormecidas que precisam ser tratadas, lembranças que estão guardadas e que podem nos levar para a escuridão. Trazendo tudo isso à tona o que acontece com nosso eixo?? Imagine você, uma professora pedindo para a aluna dançar com o tronco parado e movimentar somente os quadris ou vice versa, ela precisará soltar uma parte do corpo e "prender" outra ou seja, um movimento totalmente novo para ela, até ela achar o meio termo a coluna sentirá dificuldade de obedecer à divisão , os músculos não irão obedecer e os pés não ficarão totalmente no chão a princípio, entre outras coisas , pois cada corpo reagirá de uma forma diferente. Da mesma forma as feridas e lembranças, sentimentos de toda espécie ao voltarem ao consciente desequilibrarão energéticamente a aluna... a medida que ela se familiariza com o exercício, entende sua mecânica não será mais necessário tanto esforço para executá-lo e à medida que o exercício vai ficando mais leve e mais fácil o subconsciênte vai analizando melhor as coisas que estão vindo para curar a pessoa.




O que acontece quando algo está fora do seu eixo?




Das duas uma ... ou cai, ou se escora em algo.



E por incrível que pareça, isso acontece energéticamente. Muitas vezes quando colocamos nossa felicidade, nosso prazer em outra pessoa ou seja quando dizemos pra nós mesmos que nossa felicidade , segurança e prazer dependem de outra pessoa, estamos nos "escorando "nela. Na maioria das vezes a pessoa com esse perfil tem a mania de bajular as pessoas, fazer de tudo pelo namorado, ou por aquela amiga que sempre aparece às suas custas, ou pelo chefe, etc. Então torna-se extremamente perigoso, pois a "escora" pode não aguentar...e aí onde vamos parar?? vc sabe?



LITERALMENTE NO CHÃO




Estar no eixo é se auto-conhecer, é saber;


Quem sou eu?


O que quero?


O que faço para conseguir?




Estar no eixo é se amar, é ter o coração repleto de amor por si mesmo "ame seu próximo como a si mesmo" . Isso significa que sem amor a si mesmo jamais conseguirás amar alguém. Você já deve ter ouvido isso um milhão de vezes, mas já parou pra pensar que se você está escorando em alguém ou em algo, todo amor que você diz sentir por essa pessoa é mentira? que esse amor é falso?


Que na verdade vc não é tão boazinha como diz pra si mesma que é pois está vampirizando as pessoas.


É duro, mas é isso mesmo, mantenha-se no seu eixo.


Dói as costas, pois a postura está viciada, dói os ombros porque os músculos estão fracos, dói o ego porque vc terá que encarar o peso que é ser você mesma.

Mas depois que seu corpo pegar o jeito permanecer no eixo será algo leve e gostoso, vc se sentirá auto-confiante, e transbordará luz e amor!!










segunda-feira, 6 de abril de 2009

Semente Sagrada

Pretendo neste pequeno mundo meu aqui exposto na web colocar-me finalmente com simples palavras.
Afinal, existe algo mais simples do que uma semente?
Uma semente é algo primordial, é o início, a pureza.
Somos sementes, cada um de nós. Esta semana que começa é uma semente.
O sagrado faz parte de nós por sermos sementes, a semente morre pra nascer, e todo nascimento é sagrado e toda morte é sagrada. Frágeis, indefesas, entregues, as sementes não escolhem onde germinarão. Simplesmente estão alí, e vivem...
As sementes produzem sementes em seus frutos, elas estão bem aqui conosco, inúmeras, cheias de vida, como crianças brincando.E das sementes saem sementes ...que dão sementes. E o ciclo da vida flui. e Íris derrama suas águas de ventre em ventre.
E é isso, somos sementes, somos o início, somos o novo, e a cada dia nascemos do ventre da Deusa.
Afinal descobrimos onde está a vida?a tal vida em abundância?
Ela está em mim, em você.
Pois somos Sementes.

terça-feira, 31 de março de 2009

Ainda a Ceifadora..


É isso mesmo... não é uma história de mentirinha, ela está mesmo presa à nossa rede e vem logo depois de nós. Por mais que tentemos correr pra longe dela.

Enquanto não a acolhermos em nosso pequeno iglu não seremos curados.

O que vocês acham? Isso é uma punição? Ter ao seu lado algo ruim, assustador e inevitável??

Ou uma porta aberta para a cura?Onde através dela, Da Mãe Kali, da Mãe Morte, finalmente fecharemos nossas feridas... e como é doloroso tratar as feridas... dói, arde, é terrível. É muito melhor deixar necrosar, assim nem sentiremos que a ferida está ali... pois ela nos fará apodrecer aos poucos.

Louvada seja a Deusa Kali Ka, por trazer junto com sua terrível punição os remédios para finalmente curar minhas feridas... dói, dói muito... mas é necessário, assim voltarei a sentir minha alma viva e reluzente, minha alma que antes apodrecia da escuridão do ego.

Obrigada ó Grande Mãe pelas dores, pelas lágrimas, pelo desespero, que agora se transformam, ao seu lado, em amor, paz, tranquililidade e alívio!!

Bentita seja A Ceifadora! Bendita seja do fundo do meu coração!

domingo, 29 de março de 2009

A Ceifadora




“Ela havia feito alguma coisa que seu pai não aprovava, embora ninguém mais se lembrasse do que havia sido. Seu pai, no entanto, a havia arrastado até os penhascos, atirando-a ao mar. Lá, os peixes devoraram sua carne e arrancaram seus olhos. Enquanto jazia no fundo do mar, seu esqueleto rolou muitas vezes com as correntes.Um dia um pescador veio pescar. Bem, na verdade, em outros tempos muitos costumavam vir a essa baía pescar. Esse pescador, porém, estava afastado da sua colônia e não sabia que os pescadores da região não trabalhavam ali sob a alegação de que a enseada era mal-assombrada.O anzol do pescador foi descendo pela água abaixo e se prendeu - logo em que! - nos ossos das costelas da Mulher-Esqueleto. O pescador pensou: “Oba, agora peguei um grande de verdade! Agora peguei um mesmo!” Na sua imaginação, ele já via quantas pessoas esse peixe enorme iria alimentar, quanto tempo sua carne duraria, quanto tempo ele se veria livre da obrigação de pescar. E enquanto ele lutava com esse enorme peso na ponta do anzol, o mar se encapelou com uma espuma agitada, e o caiaque empinava e sacudia porque aquela que estava lá embaixo lutava para se soltar. E quanto mais ela lutava, tanto mais ela se enredava na linha. Não importa o que fizesse, ela estava sendo inexoravelmente arrastada para a superfície, puxada pelos ossos das próprias costelas.O pescador havia se voltado para recolher a rede e, por isso, não viu a cabeça calva surgir acima das ondas; não viu os pequenos corais que brilhavam nas órbitas do crânio; não viu os crustáceos nos velhos dentes de marfim. Quando ele se voltou com a rede nas mãos, o esqueleto inteiro, no estado em que estava, já havia chegado a superfície e caia suspenso da extremidade do caiaque pelos dentes incisivos. - Agh! - gritou o homem, e seu coração afundou até os joelhos, seus olhos se esconderam apavorados no fundo da cabeça e suas orelhas arderam num vermelho forte.- Agh! - berrou ele, soltando-a da proa com o remo e começando a remar loucamente na direção da terra. Sem perceber que ela estava emaranhada na sua linha, ele ficou ainda mais assustado pois ela parecia estar em pé, a persegui-lo o tempo todo até a praia.Não importava de que jeito ele desviasse o caiaque, ela continuava ali atrás.Sua respiração formava nuvens de vapor sobre a água, e seus braços se agitavam como se quisessem agarrá-lo para levá-lo para as profundezas.- Aaagggggghhhh! - uivava ele, quando o caiaque encalhou na praia. De um salto ele estava fora da embarcação e saia correndo agarrado a vara de pescar.E o cadáver branco da Mulher-esqueleto, ainda preso a linha de pescar, vinha aos solavancos bem atrás dele. Ele correu pelas pedras, e ela o acompanhou.Ele atravessou a tundra gelada, e ela não se distanciou. Ele passou por cima da carne que havia deixado a secar, rachando-a em pedaços com as passadas dos seus mukluks.O tempo todo ela continuou atrás dele, na verdade até pegou um pedaço do peixe congelado enquanto era arrastada. E logo começou a comer, porque há muito, muito tempo não se saciava. Finalmente, o homem chegou ao seu iglu, enfiou se direto no túnel e, de quatro, engatinhou de qualquer jeito para dentro. Ofegante e soluçante, ele ficou ali deitado no escuro, com o coração parecendo um tambor, um tambor enorme. Afinal, estava seguro, ah, tão seguro, é, seguro, graças aos deuses, Raven, é, graças a Raven, é, e também a todo-generosa Sedna, em segurança, afinal. Imaginem quando ele acendeu sua lamparina de óleo de baleia, ali estava ela - aquilo - jogada num monte no chão de neve, com um calcanhar sobre um ombro,um joelho preso nas costelas, um pé por cima do cotovelo. Mais tarde ele não saberia dizer o que realmente aconteceu. Talvez a luz tivesse suavizado suas feições; talvez fosse o fato de ele ser um homem solitário. Mas sua respiração ganhou um que de delicadeza, bem devagar ele estendeu as mãos encardidas e, falando baixinho como a mãe fala com o filho, começou a soltá-la da linha de pescar.- Oh, na, na, na. - Ele primeiro soltou os dedos dos pés, depois os tornozelos.- Oh, na, na, na. - Trabalhou sem parar noite adentro, até cobri-la de peles para aquecê-la, já que os ossos da Mulher-esqueleto eram iguaizinhos aos de um ser humano.Ele procurou sua pederneira na bainha de couro e usou um pouco do próprio cabelo para acender mais um foguinho. Ficou olhando para ela de vez em quando enquanto passava óleo na preciosa madeira da sua vara de pescar e enrolava novamente sua linha de seda. E ela, no meio das peles, não pronunciava palavra - não tinha coragem - para que o caçador não a levasse lá para fora e a jogasse lá embaixo nas pedras, quebrando totalmente seus ossos.O homem começou a sentir sono, enfiou-se nas peles de dormir e logo estava sonhando.Às vezes, quando os seres humanos dormem, acontece de uma lágrima escapar do olho de quem sonha. Nunca sabemos que tipo de sonho provoca isso, mas sabemos que ou é um sonho de tristeza ou de anseio. E foi isso o que aconteceu com o homem.A Mulher-esqueleto viu o brilho da lágrima a luz do fogo, e de repente ela sentiu uma sede daquelas. Ela se aproximou do homem que dormia, rangendo e retinindo,e pôs a boca junto a lágrima. Aquela única lágrima foi como um rio, que ela bebeu,bebeu e bebeu até saciar sua sede de tantos anos.Enquanto estava deitada ao seu lado, ela estendeu a mão para dentro do homemque dormia e retirou seu coração, aquele tambor forte. Sentou-se e começou a batucar dos dois lados do coração: Bom, Bomm!... Bom, Bomm!Enquanto marcava o ritmo, ela começou a cantar em voz alta.- Carne, carne, carne! Carne, carne, carne!- E quanto mais cantava, mais seu corpo se revestia de carne.Ela cantou para ter cabelo, olhos saudáveis e mãos boas e gordas. Ela cantou para ter a divisão entre as pernas e seios compridos o suficientepara se enrolarem e dar calor, e todas as coisas de que as mulheres precisam.Quando estava pronta, ela também cantou para despir o homem que dormiae se enfiou na cama com ele, a pele de um tocando a do outro. Ela devolveu o grande tambor, o coração, ao corpo dele, e foi assim que acordaram, abraçados um ao outro,enredados da noite juntos, agora de outro jeito, de um jeito bom e duradouro.As pessoas que não conseguem se lembrar de como aconteceu sua primeira desgraça dizem que ela e o pescador foram embora e sempre foram bem alimentados pelas criaturas que ela conheceu na sua vida debaixo d'água.As pessoas garantem que é verdade e que é só isso o que sabem.”






Já falei várias vezes aqui sobre o ciclo da "vida- morte-vida.
Quando entederemos este ciclo, já que o que nos mostram é somente um começo e um fim.
A Ceifadora, A Morte, Ela vêm, a Deusa do Sangue e da Dor. Ela é inevitável.
Quando, em fim, compreenderemos que assim como o pescador que enrroscou sua linha nos ossos da Mulher Esqueleto e tentando fugir só fez com que ela criasse mais vida rebatendo seus ossos presos à ele, nós não poderemos fugir desse ciclo, nem muito menos viver sem ele, em uma vida morna presos em nosso iglu saindo de vez em quando pra pegar um peixe no lago congelado do nosso self.


Assim como o pescador, acenda a vela, aqueça o Os Ossos da Mulher Esqueleto, e verá o quão doce ela se tornará. ela irá te sugar a vida, te enfraquecerá, sugará sua alma e sua energia, ela te matará aos poucos, e quando você acordar ela estará ao seu lado, cheia de carne, com seios fartos, cabelos longos, mãos gordas e serão essas mãos que finalmente te devolverão o seu coração e tudo que precisa para se recuperar.


Desenrrosque a linha do anzol e a deixe ficar... você não estará mais só, nunca mais.
História retirada do livro "Mulheres que Correm com os Lobos de Calrissa Pínkola Estés."
Imagem "Chalchiuhtlicue, a Deusa asteca Mãe nutridora"


sexta-feira, 6 de março de 2009

Não serei breve...


Todos os dias quando vou e volto do trabalho eu leio...no momento estou lendo o segundo volume de Ramsés antes disso, em janeiro deste ano quando comecei a trabalhar neste emprego eu li "O Silêncio dos Domingos" Mulheres que correm com os lobos", comecei a ler cem anos de solidão mas não gostei e não terminei. Sempre escolho um lugar no ônibus onde a lâmpada esteja funcionando... e o horário que eu saio me é favorável por ter pouco movimento de passageiros. Assim mergulhada nos livros, eu não vejo a estrada, nem os carros, nem as pessoas na calçada, nem as que entram do ônibus, nem as que saem do ônibus. Mergulho completamente na história como se vivesse no corpo de cada personagem, tento sentir suas emoções, temores. imagino cada detalhe de cada cena descrita. Assim, eu nem percebo que aquele caminho me leva de volta pra solidão em que vivo. Nem percebo ...
Cada dia que passa, mergulho mais e mais nas histórias, quanto mais difícil se torna mais eu leio e leio... e assim eu chego.
Quando chego o meu encontro com a solidão que me esperou durante o dia inteiro é até calorosa... visto que ela é a única que ainda me espera. Ela nunca me deixou, sempre está comigo, gelada e úmida como uma mancha de mofo na parede. Mas está aqui sempre que chego.
Cansada, ela logo me chama para deitar-me ao seu lado, e eu obediente e partilhando de seu cansaço logo durmo.

Vou dormir pensando no amanhã onde novas páginas serão lidas e novamente ela me recepcionará.
E assim passam-se meus dias... em páginas escritas que estão grudando em mim.
aos poucos perco o sentido da vida... aos poucos os livros acabam, a última página é lida , a história termina e lá vou eu atrás de outra. Sempre julgando ser a mais nova melhor que a anterior... e a próxima melhor que a última. E assim vai... assi não preciso olhar o movimento dos carros nem das pesoas, nem de mim mesma. Por mim ficaria ali mesmo, não desceria nunca do ônibus eestaria sempre indo embora... sempre , sempre... indo e indo ... embora pra onde não sei mas lendo e indo embora pra nunca mais me encontrar com a solidão deixá- la esperando pra sempre, assim me vingaria dela .
Alguém pode por favor escrever um livro tão extenso quanto a minha vida? Pra que ele se acabe junto comigo?
Por favor.