sexta-feira, 6 de março de 2009

Não serei breve...


Todos os dias quando vou e volto do trabalho eu leio...no momento estou lendo o segundo volume de Ramsés antes disso, em janeiro deste ano quando comecei a trabalhar neste emprego eu li "O Silêncio dos Domingos" Mulheres que correm com os lobos", comecei a ler cem anos de solidão mas não gostei e não terminei. Sempre escolho um lugar no ônibus onde a lâmpada esteja funcionando... e o horário que eu saio me é favorável por ter pouco movimento de passageiros. Assim mergulhada nos livros, eu não vejo a estrada, nem os carros, nem as pessoas na calçada, nem as que entram do ônibus, nem as que saem do ônibus. Mergulho completamente na história como se vivesse no corpo de cada personagem, tento sentir suas emoções, temores. imagino cada detalhe de cada cena descrita. Assim, eu nem percebo que aquele caminho me leva de volta pra solidão em que vivo. Nem percebo ...
Cada dia que passa, mergulho mais e mais nas histórias, quanto mais difícil se torna mais eu leio e leio... e assim eu chego.
Quando chego o meu encontro com a solidão que me esperou durante o dia inteiro é até calorosa... visto que ela é a única que ainda me espera. Ela nunca me deixou, sempre está comigo, gelada e úmida como uma mancha de mofo na parede. Mas está aqui sempre que chego.
Cansada, ela logo me chama para deitar-me ao seu lado, e eu obediente e partilhando de seu cansaço logo durmo.

Vou dormir pensando no amanhã onde novas páginas serão lidas e novamente ela me recepcionará.
E assim passam-se meus dias... em páginas escritas que estão grudando em mim.
aos poucos perco o sentido da vida... aos poucos os livros acabam, a última página é lida , a história termina e lá vou eu atrás de outra. Sempre julgando ser a mais nova melhor que a anterior... e a próxima melhor que a última. E assim vai... assi não preciso olhar o movimento dos carros nem das pesoas, nem de mim mesma. Por mim ficaria ali mesmo, não desceria nunca do ônibus eestaria sempre indo embora... sempre , sempre... indo e indo ... embora pra onde não sei mas lendo e indo embora pra nunca mais me encontrar com a solidão deixá- la esperando pra sempre, assim me vingaria dela .
Alguém pode por favor escrever um livro tão extenso quanto a minha vida? Pra que ele se acabe junto comigo?
Por favor.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009


Naquele tempo a vida era bonita , as palavras dos livros coloridas e suas histórias tinham vida!

Naquele tempo meus olhos brilhavam e meus desejos pulsavam no meu coração. As nuvens cobriam o sol levadas pelo vento, e eu podia ver a sua sombra correndo no chão como as grandes asas de uma águiacruzando o céu. Naquele tempo eu sentava no banco da pracinha só pra curtir meu sono e me deixava aquecer pelos raios de sol da manhã.

Naquele tempo eu amava... com todas as minhas forças... amava com minhas entranhas... a pessoa que eu amava não tinha nome nem cor, nem raça, nem nada... eu simplesmente amava, e meu amor, era palpável, era materializado.

Naquele tempo eu prendia duendes na janela com minhas maçãs suculentas. eu via as fadas voarem com os pássaros e eu virava sereia na beira da praia. Quando eu ia dormir eu sentia as mãos dos Espíritos me acariciarem.

Eu podia ver o que acontecia no interior das sementes e muitas, muitas vezes via meus pensamentos se misturarem entre si como um grande saco de confetes coloridos. Naquele tempo eu fazia promessas, votos e juramentos que são vivos até hoje pois foram feitos com muita sinceridade. E as minhas promessas foram todas cumpridas.

E o tempo naquele tempo... como era? ela sempre foi o Tempo. ele me acompanhou, e ele continua o mesmo, e ele me trouxe pra mim. Ele me trouxe com cautela para que eu não me perdesse de vez. Ele me carregou no colo logo que eu perdi as primeiras unhas feridas de tanto caminhar na estrada errada.

E agora quase sem meus pés eu estou me vendo, estou aqui de frente pra mim, e vejo que não foi o tempo quem me deixou marcas, fui eu mesma quem me deixei de lado! e se não fosse o tempo estaria perdida.

O grande saco de confetes coloridos está esparramado no chão... mas afinal não é pra isso que servem os confetes? Logo se junta outro saco e assim vai indo... vai indo... o tempo juntará um a um quando for necessário.

De tudo isso eu só lamento não ter conseguido recuperar aquele amor... pois era ele, ele tinha se tornado uma pessoa e eu amava o amor, e eu o deixei...

O tempo insiste em me dizer que o trouxe junto com as palavras vivas do livro e junto com os duendes,fadas e sereias... mas eu não o vejo. E por isso tenho muita raiva do tempo. ele mentiu pra mim, deixou meu amor se perder. Só ele pode traze-lo de volta!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Medo


É incrível como o medo muda uma pessoa.

O medo é capaz de mudar até um caráter.

É capaz de fazer uma pessoa cometer atos impensados, ou omitir seus sentimentos.

Quem quer que o medo seja enfim realidade...? Ninguém... por isso muitas vezes é melhor não fazer nada... ficar calado ou permanecer imóvel, vendo tudo ser destruído aos poucos... sim está tudo caindo, porém aos poucos, " E se tomando uma atitude cair tudo de uma vez?"

Não, não... é bem melhor assim, devagar, pedaço por pedaço, assim quando já não houver mais nada talvez nem esteja mais aqui, ou já tenha me acostumado com a dor e o vazio!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

COMO ENCONTRÁ - LA?

Se você encontrou o véu de seda que cobre a sua alma... então já encontrou sua alma...
Existem pessoas que não sabem que o véu existe!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Amor


No que consiste o amor?

Qual a sua consistência?

É escorregadio e áspero ao mesmo.

É doce e salgado, é masculino e é feminino.

no que consiste o amor entre um homem e uma mulher?

Qual a sua consistência?

Ele é amoroso e odioso e sua consistência é como a de uma massinha de modelar...se você deixar muito tempo exposta ela endurece e esfarela.

No que consiste o amor entre um homem e outro homem?

Qual a sua consistência?

É um amor que flutua é duro como a resina e leve como algodão, pode-se dar a forma que quiser e ela ficará para sempre! Ou vc pode guardar um montão dele em uma latinha pequena... que cabe...


E o amor entre uma mulher e outra mulher?

Qual a sua consistência?

Ele é poroso como a polpa da melancia e macio como o pudim...

A qualquer momento pode se desmanchar.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Em Busca de Mim II


Será que você vive cem anos e isso é o suficiente pra saber quem você realmente é?

Será que você vive um minuto e isso é o suficiente pra você morrer?

Será que você morre e isso é o suficiente?

Quem morre? Ele que está gelado e pálido? ou você que tem o rosto úmido e o peito apertado?

Quem vive? você que não sabe ao menos quem é ou se esconde por trás de uma criação sua que aparenta ser corada e quente?

Afinal, quem é quem?

Você deve saber, afinal você sabe tudo não é? você anda ultimamente bem atento cuidando da vida, atento aos ladrões que passam aos que querem fazer maldade.

Como você sabe que eles querem fazer maldade?

Sabendo... ué... você sabe das coisas, é esperto, é rápido no gatilho!

sou rápido mesmo, mas tem uma coisa... sou rápido e atento até onde me é conveniênte... até onde nada me comprometa...

O que ... hã? Nossa! Não creio ... nem tinha percebido, parecia ser uma pessoa tão boa.

Tudo isso é bobagem agora... mas antes não era nada bobagem. Era tudo bastante útil!

Quem é quem?

Quem é a vítima quem é o sequestrador?

Quem é o mestre e quem é o discípulo?

Quem é o amante, quem é o inimigo?

Sou eu...sou eu... eu ...eu aqui... eeeuuu.



Onde estão as mulheres?

Desde pequena sempre fui observadora... e como uma boa leonina muito curiosa!
E como uma boa menina também observava bastante às mulheres que me rodeavam. Mãe, avó, tia, e as mulheres que iam aparecendo, amigas, conhecidas primas de primeiro e segundo graus etc.
Sempre me perguntei o que era que elas tinham de diferente. O que era aquela energia que as rodeavam? Porque isso não acontecia com os homens também?
Nas minhas fantasias de criança até pensava que elas tinham algum segredo e que só quando eu crescesse alguma delas iria me contar.
Fui crescendo, e fui percebendo essa energia indo embora da aura dessas mulheres, com o passar do tempo as visitas foram diminuindo, não tinha mais a troca de receitas de bolo, de chás, de risotos, de simpatias para fazer o marido voltar para casa. Não tinha mais. Eu sentia falta disso, mas não sabia que era disso que sentia falta, a casa ficava vazia, e eu não sabia o porquê, só depois de um tempo eu comecei a perguntar por elas.

Depois de muito tempo comecei a perceber que aquilo não era uma simples curiosidade de criança, mas fazia parte da minha formação como mulher. Lendo o livro da Clarissa “Mulheres que correm com os lobos” finalmente encontrei respostas para o meu vazio. A NATUREZA SELVAGEM DA MULHER.
O que tenho a dizer sobre isso é que essa natureza é o que existe de mais puro e de mais primitivo dentro de nós. E essa natureza já existe, não é implantada em nós por ninguém, já nascemos com ela. E o que posso dizer também é que essa natureza e ESSÊNCIAL para que a mulher viva plenamente. A mulher selvagem apesar de já existir em nós precisa ser descoberta, e a forma mais natural para isso seria crescermos em volta de mulheres selvagens, mas onde elas estão?
Muito nos foi tirado!
Muito foi tirado das mães, das avós, das tias, das primas, das vizinhas.
Acho que não preciso falar o motivo, basta você parar e pensar em cada uma dessas mulheres da sua família, onde elas estão? Elas são felizes? Bem sucedidas? São mulheres alegres? Radiantes? Você vê brilho nos olhos delas? Aliás, você repara se há ou não há brilho nos olhos delas? E nos seus olhos? Olhe-se no espelho e repare.
Eu tenho uma resposta para isso, elas são e têm tudo isso que eu falei, mas talvez ainda não encontraram.
Muito nos foi tirado!

Eu me pergunto como trazer isso de volta, como fazer despertar esta mulher em nós e não deixar nossa alma morrer junto com os séculos que se vão... mas, acredito que não exista uma forma exata.
Cada uma precisa se empenhar em buscar isso dentro de si.
Mas talvez a missão deste blog seja acender uma pequena lâmpada, e um pequeno ponto de luz é o suficiente para quebrar a escuridão.

Uma faísca pode causar um incêndio...

a pintura que ilustra este post é de Ana Luisa Kaminsk "Mulheres Musicais"